sábado, 12 de setembro de 2015

"A Casatória c'a Defunta", da potiguar Cia Pão Doce de Teatro, faz duas sessões gratuitas

Grupo de Mossoró se apresenta no Carmo, em Olinda, e no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem

Daniel Medeiros, da Folha de Pernambuco

Divulgação
Noiva fantasmagórica leva rapaz para o submundo dos mortos em comédia com trilha original
Lendas sobre noivas fantasmagóricas, que despertam de suas tumbas para aterrorizar o mundo dos vivos, são recorrentes em várias partes do mundo. Dependendo do lugar, as histórias adquirem novas versões, adequando-se à cultura local. No espetáculo "A Casatória c'a Defunta", esse personagem mítico ganha contornos bem brasileiros.

Produzida pela Cia Pão Doce de Teatro, de Mossoró (RN), a peça realiza duas sessões a céu aberto em Pernambuco. As apresentações serão na Praça do Carmo, em Olinda, neste sábado (12), às 18h; e no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, no domingo (13), às 15h30.

"A peça é baseada nas histórias que eu costumava ouvir dos mais velhos, dos meus tios e tias, em conversas nas calçadas das casas", relembra Romero Oliveira, que assina o texto e trilha sonora da montagem. Para construir a dramaturgia, o autor e ator mergulhou nas obras de expoentes da cultura popular nordestina, como Câmara Cascudo, Patativa do Assaré, Jessier Quirino e o poeta mossoroense Antônio Francisco.

O enredo gira em torno do medroso Afrânio. Comprometido com a romântica Maria Flor, ele casa-se acidentalmente com a Moça de Branco: o fantasma de uma noiva, que leva o rapaz para o submundo dos mortos.

O elenco, formado por cinco atores, entra em cena em cima de bancos. O elemento cênico é utilizado como metáfora, para diferenciar um mundo dos vivos do mundo dos que já partiram. "Os bancos representam as raízes que ainda mantemos enquanto estamos vivos", afirma Romero.

A trilha sonora, composta apenas por canções originais, passeia pela diversidade de ritmos da região, do maracatu ao baião, passando pelos cânticos de incelença. "A música não entra apenas como um enfeite. Através dela, nós podemos contar anos de história em poucos minutos", diz o autor.

Este é o primeiro trabalho da Cia. Pão Doce feito para ser apresentado na rua. A proposta surgiu a partir de um projeto executado pela trupe em 2012. O "Pão Doce na Rural" consistia em levar espetáculos para a zona rural mossoroense. "Como não havia teatros nos lugares que visitávamos, a gente tinha que se apresentar em espaços abertos. Assim nasceu a vontade de estar cada vez mais perto do público", conta Romero. A montagem estreou em 2014, com direção de Marcos Leonardo de Paula. Contemplada com o Prêmio Funarte Artes na Rua, a peça está em circulação pelo Nordeste desde julho.

Fonte: http://www.folhape.com.br/cms/opencms/folhape/pt/cultura/teatro/arqs/2015/09/0002.html