sexta-feira, 18 de março de 2016

Nívea Viva privilegia anos 80 na celebração do rock brasileiro

A história é bem contada mesmo que muitos capítulos ficaram de fora



Pitty, Nando Reis e Paula Toller reverenciam Herbert Vianna
foto: \divulgação Nívea/Léo Averssa
  


José Teles

O Nívea Viva Rock Brasil estreou na noite de ontem, na casa Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, para convidados, com muitas celebridades (atrizes como Marjorie Estiano, músicos como Léo Jaime e George Israel, Mart’nália, e executivos da música, Jorge Davidson). A festa entrou pela madrugada de hoje, com 2h40 minutos de celebração aos 60 anos do rock nacional. Tomou-se como ponto de partida a gravação, por Nora Ney, de Rock Around the Clock (que é de 1955). O espetáculo vai girar pelo Brasil, aterrissando em sete capitais (chega dia 30 de abril ao Recife, na esplanada do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem), em apresentações abertas ao público.

No seu quinto ano, o Nívea Viva, que começou homenageando Tom Jobim, reuniu nomes de quatro gerações do rock brasileiro, indo de Liminha que assina também a direção musical do espetáculo, a Rodrigo Suricato, da Suricato, banda que ainda nem emplacou um grande sucesso nacional. Entre um e outro, Nando Reis, Paula Toller, Pitty, Paralamas do Sucesso, Dado Villas Lobos, Maurício Barros (Barão Vermelho), e Milton Guedes (saxofonista do grupo de Lulu Santos).

Assim como aconteceu com a edição anterior, que teve a junção heterodoxa da rainha da axé Ivete Sangalo, com o irado rapper paulistano Criolo, cantando os mais manjados sucessos de Tim Maia, o Nivea Viva Rock Brasil é uma compilação feita para agradar públicos de todas as classes sociais (com roteiro do jornalista Hugo Sukeman). No espetáculo, com direção geral de Monique Gardenberg, é enfatizado os anos 80, e seus hits mais conhecidos, boa deles criada integrantes do espetáculo.

Banho de Lula, sucesso de Celly Campello, em 1960, foi apresentado na versão dos Mutantes, de 1968, num pot-pourri com dois clássicos da Jovem Guarda, Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo (Carlos Imperial), e Quero Que Vá Tudo Pro Inferno (De Roberto e Erasmo Carlos, uma inclusão até surpreendente, já que o Rei nem grava nem libera a música para ser gravada). A lembrança aos Mutantes (que entra também com Ando Meio Desligado) serve de deixa para o capitulo Rita Lee, com as figurinhas carimbadas Agora Só Falta Você e Ovelha Negra.

Os interpretes ora cantam todos juntos, ora em duplas, predominando o trio Pitty, Paula Toller e Nando Reis. A partir de Sonífera Ilha, hit do comecinho dos Titãs é dada a largada para o bailão anos 80. A plateia não resiste e fica de pé, Bi Ribeiro e Herbert Vianna adentram o palco e juntam-se a João Barone (na bateria o show inteiro), com dois dos maiores sucessos dos três, Óculos e Meu Erro. No bloco final chega-se enfim aos anos 90, com Chico Science & Nação Zumbi (A Praieira, com Pitty), Raimundos (Mulher de Fases, com Rodrigo Suricato), Cassia Eller (Segundo Sol, cantada pelo autor, Nando Reis) ou Los Hermanos (Anna Julia, com Dado Villa-Lobos).

O Rock Brasil é mais o BR Rock, a Suricato ainda não passa de uma nota de pé de página na história do gênero no país, e tem muitos capítulos faltando nesta homenagem, de pioneiros como Sergio Murilo e Carlos Gonzaga a sucessos da carreira solo de Erasmo Carlos, e esnobando o rolo compressor chamado Secos & Molhados, para citar algumas ausências. Porém ainda assim é mais que louvável o Nívea Viva, ao levar às ruas, para pessoas de todas as classes sociais, um espetáculos com canções de qualidade, sobretudo quando o país se encontra dominado por um tipo de música está no mesmo nível de sua situação política e econômica.

(O repórter viajou ao Rio a convite do Nívea Vivo)

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/noticia/2016/03/16/nivea-viva--privilegia-anos-80-na-celebracao-do-rock-brasileiro-226270.php