sábado, 12 de abril de 2014

Alcione, Martinho da Vila, Diogo Nogueira e Roberta Sá juntos no RecifeCantores dividem o palco do Dona Lindu, a partir das 17h30, em show gratuito


AD Luna - Diarios Associados


Diogo Nogueira, Alcione, Roberta Sá e Martinho da Vila cantaram durante quase duas horas. Foto: Leo Aversa/Reprodução

Depois de reunir multidões em Porto Alegre, Rio de Janeiro e Brasília, chegou a vez de o Recife receber o espetáculo que reúne os veteranos Martinho da Vila e Alcione aos novos, porém tarimbados, Diogo Nogueira e Roberta Sá. No Nivea viva o samba, os quatro cantores apresentam clássicos do gênero musical neste domingo, às 17h30, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. O evento é gratuito.

O concerto sambístico tem direção de Monique Gardenberg e direção musical do maestro Alceu Maia. Uma verdadeira orquestra foi montada para acompanhar os intérpretes, a qual inclui instrumentos tradicionais do samba como cavaquinho, violão, percussão, além de uma seção de metais (trompete, sax e flauta) e outra de instrumentos eruditos (dois violinos, uma viola e um violoncelo). É uma formação que, de certa forma, representa a evolução do estilo que nasceu nos morros e completa um século, em 2016.
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“É um show interativo, todo montado para o público cantar junto. É praticamente um Canta, canta, minha gente”, brinca Martinho da Vila, citando o título de seus famosos e consagrados disco e música de mesmo nome. “Por onde já passamos, a recepção tem sido incrível. E no Recife não vai ser diferente. Conheço o povo daí e sei que ele tem bom gosto. Quero ver bombar”, desafia Alcione, com bom humor.

Os dois ícones do samba se elogiam mutuamente e se dizem felizes de estar ao lado de Diogo e Roberta. “São todos grandes talentos e a gente se diverte bastante. Sem falar no repertório, que é muito bom”, exalta a Marrom. Para ela, o conjunto das músicas apresentadas no espetáculo seria um contraponto à programação veiculada atualmente pelas rádios brasileiras. “Você sabe, né? Tem muita coisa ruim tocando no rádio. Então, a pessoa vai nesse show e se depara com um repertório que não encontra todo dia”, observa Alcione.

Para Diogo Nogueira, o estilo musical que ele abraçou está vivendo um momento especial. “Tem muita gente boa da nova geração fazendo samba: Rodrigo Leite, que eu e Zeca gravamos nos últimos CDs, Ciraninho, Leandro Fregonesi, Inácio Rios, Rafael dos Santos e muitos outros bons compositores”.

Ao se prestar atenção às letras dos sambas do projeto, nota-se a grande variedade dos assuntos abordados. Eles abarcam desde histórias sobre o cotidiano de comunidades, exaltação a grandes amores, críticas sociais e até questões existenciais. A riqueza temática tem feito Roberta Sá pensar bastante sobre isso e traçar paralelos com a produção de outros artistas. “Acho que o samba consegue como poucos discutir e colocar tantas questões. Mas é claro que o Brasil é feito de compositores que fazem isso muito bem, como por exemplo Adriana Calcanhoto, em seu Micróbio do samba; Caetano Veloso, emAbraçaço; Moska, no seu Muito pouco, dentre outros”, cita.

O que eles pensam sobre as canções do show

Alcione

Rio antigo (Chico Anísio e Nonato Buzarela) - “Gosto muito dela porque fala de um Rio de Janeiro que não vivi, mas que existiu. E ainda foi composta por dois grandes nordestinos”.

Moinho (Cartola) - “Minha filha, o mundo é um moinho. E acho que continua sendo. No mundo de hoje, temos muitas coisas tristes (pedofilia, corrupção…), mas também coisas boas como o Médicos Sem Fronteiras, Afroreggae e projetos sociais como a Mangueira do Amanhã, que fundei na escola de samba”.

Martinho da Vila

Canta, canta minha gente (Martinho da Vila) - “É minha música mais regravada, inclusive com diversas versões no exterior. Quando eu a compus, o Brasil vivia um momento muito conturbado: a época de ditadura. Fiz para alegrar o pessoal. Só não dava pra alegrar quem estava preso”.

Renascer das cinzas (Martinho da Vila) - “É um momento bonito, no qual homenageamos as escolas de samba. Essa música eu fiz para a Vila Isabel, escola do coração”.

Diogo Nogueira

A voz do morro (Zé Keti) - “Abertura. Diz tudo sobre o show”.

Além do espelho (João Nogueira) - “Feita pelo meu pai, sempre me emociono quando a canto”.

O que é o que é (Gonzaguinha) - “Uma obra prima do Gonzaguinha que sempre contagia todo mundo”.

Roberta Sá

Conto de areia (Romildo e Toninho) - “Canto com Alcione, um clássico da Clara (Nunes), que é sempre deliciosa reviver. Ainda mais ao lado da Marrom, que é uma das maiores cantoras do Brasil”.

Com que roupa (Noel Rosa) - “É uma que sempre acaba caindo na minha mão para cantar. Tem uma história curiosa sobre ela. Meu avô morava no Recife quando estudou engenharia e ele adora quando canto essa música. Ele e o amigo com quem morava revezavam o único terno para ir ao baile! Ele diz que é a sua música e eu sempre lembro disso na hora de cantar”

O que eles vão tocar no palco

A voz do morro (Zé Keti)
Eu sambo mesmo (Janet de Almeida)
Casa de bamba (Martinho da Vila)
Poder da criação (João Nogueira e Paulo César Pinheiro)
Não deixe o samba morrer (Edson e Aloisio)
...E o mundo não se acabou (Assis Valente)
Com que roupa? (Noel Rosa) / Um vestido de bolero (Dorival Caymmi)
Meu ébano (Nenéo e Paulinho Resende)
Mulheres (Toninho Gerais)
Sou eu (Ivan Lins / Chico Buarque)
O mundo é um moinho (Cartola)
De pai pra filha (Martinho)
Além do espelho (João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro)
Conto de areia (Romildo e Toninho)
O que é o que é? (Gonzaguinha)
Feitiço da Vila (Noel Rosa e Vadico)
Rio antigo (Chico Anísio e Nonato Buzar)
Meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz)
Vazio (Está faltando uma coisa em mim) (Nelson Rufino)
Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)
Ex-amor (Martinho)
Por causa de você (Dolores Duran e Tom Jobim)
A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito)
Os meninos da Mangueira (Rildo Hora e Sérgio Cabral)
Renascer das cinzas (Martinho da Vila)
Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho Da Viola)
Aquarela brasileira (Silas de Oliveira)
Isto aqui o que é? (Sandália de prata) (Ary Barroso)

Quem já viu

Porto Alegre
70 mil
pessoas

Rio de Janeiro
140 mil
pessoas

Brasília
70 mil
pessoas

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2014/04/12/internas_viver,498895/alcione-martinho-da-vila-diogo-nogueira-e-roberta-sa-juntos-no-recife.shtml